Quando tudo começou...
Estava a frente da minha turma e pensava como estabelecer com eles uma relação dinâmica do saber. Era o ano de 1994.
Desejava um diálogo entre professor e aluno.
Já completara a faculdade de Letras/UFRJ e, sabia que precisava estabelecer diferenças no meu fazer, já não era mais a mesma professora.Cresci.
Aprender é caminhar.
Longe de mim imaginar que sem problemas, mas com resiliência.
Aprendi isto ao observar uma plantinha chamada Árvore da Felicidade.É bacana ver seu comportamento após as chuvas ou tempestades.
Abri possibilidades de discussão, aprendíamos e debatíamos o aprendizado.
Foram elaboradas atividades de jogral, peças, tribunais, defesas, diálogos, leituras em voz alta, comentários e conteúdos, é, dávamos conta.
Diante da minha postura, frente a minha turma, agora já na antiga 4ª série do 1º grau, Elisa (diretora) resolveu me convidar para ser regente de Sala de Leitura.
Aceitei o desafio, e não fazia ideia de sua dimensão. Eram 31 turmas, mais de mil alunos.
E, alguns, tenho que acrescentar poucos, colegas, acreditavam, numa torcida patética que eu não daria conta. Também cheguei a pensar algumas vezes assim.Como dar conta de 31 turmas, quando , às vezes, não conseguimos dar conta de uma? Nunca me esqueço dos colegas que torciam pelo meu sucesso. A eles meu muito obrigada.
As atividades que eram "boladas", por mim, só tinham duas saídas: se vitoriosas sucesso da escola; se falhas, resultado único de meu trabalho.
Por muitas vezes, pensei em desistir daquele sonho, mas sabia que jamais o faria.Talvez, porque trabalhar com a formação de leitores fosse um dos meus objetivos enquanto educadora.
Aprendi.
E, talvez, muitas das que torceram contra, ou pior, ficaram indiferentes( acho que não há coisa pior), não o sabem, mas me fortaleceram no aprendizado que vem do erro.
Hoje sou muito melhor do que fui.
Quis aprender...caí... mas quis continuar. E, fiquei na função durante muitos anos. Nela, tenho certeza ,dei o meu melhor.
Nem sempre colhi medalhas, mas pude, na minha verdade, ensinar muita coisa boa para os muitos alunos que passaram por mim. Trocamos, pude ouvi-los saber da verdade deles.
Fomos construindo o aprendizado.
Fomos construindo o aprendizado.
Foi bacana vê-los chegar cheios de sonhos e dividí-los comigo.Torci pelo sucesso de todos.
A sala, fui mudando, e, hoje, ela é o reflexo de um trabalho de transformação. Era , antes, escura, sem vida. Hoje é clara, convidativa.
É, bem verdade, que não estou mais a frente da Sala de Leitura da minha escola. Hoje, estou como diretora adjunta. Porém, continuo educadora. Estou presente.
Ainda me permito sonhar com um belo trabalho de formação de leitores.
A Educação de qualidade não se esgota em um único elemento e, sua ação transcende todos as paredes que possam se tornar obstáculos.
Somos professores.
Desejamos um futuro melhor para nossas crianças e adolescentes. E sonhar é transpor barreiras, é chegar muito antes aonde se deseja estar.
Sonhar é o inicio de realização, que através da ação se concretiza. Ação esta, não livre de tropeços, coberta de pés machucados, mas que continuam a caminhar.
Quem acredita em um país melhor, precisa desenhá-lo primeiro em uma sala de aula, ainda que pequena, em uma escola que acredita na possibilidade de concretizar sonhos.
Bjs
Elza
